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[OAB Bahia abre programação do Março Mulher com diálogo sobre liderança feminina e desafios da advocacia]

OAB Bahia abre programação do Março Mulher com diálogo sobre liderança feminina e desafios da advocacia

Podcast reuniu presidentas da OAB-BA, Daniela Borges, e da OAB-ES, Érica Neves, em diálogo sobre liderança feminina, desigualdades na advocacia, enfrentamento à violência de gênero e expectativas para a Conferência Nacional da Advocacia na Bahia

A presidenta da OAB-BA, Daniela Borges, deu início à programação especial do Março Mulher com a gravação de um podcast ao lado da presidenta da OAB-ES, Érica Neves. Ambas foram as primeiras mulheres a presidir suas respectivas seccionais da OAB. A conversa abordou temas centrais para a promoção da igualdade de gênero na advocacia, como liderança feminina, mercado de trabalho, enfrentamento à violência contra a mulher e as expectativas para a Conferência Nacional da Advocacia.

Ao abrir o diálogo, Daniela destacou que a pauta da equidade precisa ser permanente. “Os temas são urgentes na promoção da igualdade de gênero e a gente precisa tratar do assunto todos os dias. Março é apenas um mês de dar um holofote maior para uma série de temas”, afirmou, ao questionar Érica sobre os desafios de sua trajetória à frente da Ordem no Espírito Santo.

Érica classificou sua eleição como um movimento “disruptivo” e de evolução institucional. “É o ápice de qualquer instituição colocar mulheres na presidência. A advocacia entendeu esse espírito e essa necessidade. Tenho a honra e a sensibilidade de entender que isso é ser espelho”, declarou. Segundo ela, embora as mulheres ainda sejam mais questionadas em espaços de liderança, há um reconhecimento crescente de sua competência. “Foi um ano de evolução pessoal e estou apaixonada pelos resultados e conquistas, pois os desafios são maiores para as mulheres”, pontuou. Daniela reforçou que a transformação precisa ser coletiva. “Os homens precisam entender que precisam fazer parte dessa transformação. Mulheres e homens juntos. A diversidade é potência”, afirmou.

Durante o episódio, Érica compartilhou sua trajetória profissional, desde a decisão de seguir a advocacia ainda jovem, inspirada por um filme sobre júri norte-americano, até a atuação na área criminal e, posteriormente, no direito empresarial. Ela relatou que uma grave violação de prerrogativas a fez repensar caminhos profissionais, mas ressaltou que a vivência institucional foi determinante para sua eleição. “Só cheguei lá porque eu entendia da OAB. Quando fui secretária-geral, rodei o estado, cuidei das subseções e compreendi o que precisava ser feito. A mulher precisa ter o ímpeto de ir para cima e aceitar o desafio”, afirmou.

Desigualdades e caminhos para o equilíbrio

Questionada sobre os principais obstáculos enfrentados pelas mulheres na advocacia, Érica apontou a desigualdade de oportunidades. “Os homens se lançaram primeiro, mas estamos avançando. Cabe à Ordem equilibrar a balança”, disse, sugerindo medidas práticas, como a oferta de cursos em horários mais favoráveis às mulheres.

Daniela destacou que, apesar de investirem mais em capacitação, as mulheres ainda recebem menos que os homens, realidade ainda mais severa para as mulheres negras. “São importantes políticas que mudem essa realidade”, defendeu.

O debate também abordou as especificidades que impactam a trajetória profissional feminina, como gestação e puerpério. Para Érica, ainda há resistência à adaptação necessária para garantir equidade. “Temos avanços, mas os homens ainda não se atentaram para o cuidado com essas especificidades”, observou. Ela anunciou ainda a realização de uma caminhada no dia 8 de março para celebrar conquistas, chamar atenção para a violência de gênero e projetar avanços futuros. “Ainda vemos homens que não aceitam o fim do relacionamento e a violência contra a mulher crescendo”, alertou. Daniela acrescentou que é preciso enfrentar o desafio da reprodução das violências de forma estrutural e generalizada, ampliando o debate e as ações institucionais.

Conferência Nacional da Advocacia

Ao final da conversa, Érica demonstrou entusiasmo com a realização da Conferência Nacional da Advocacia, que acontecerá na Bahia em novembro deste ano. “Minha expectativa é enorme. Tenho a sorte de presidir a OAB do Espírito Santo no ano do evento na Bahia e vem uma caravana enorme de lá. Estaremos aqui fazendo a festa da advocacia, o maior evento jurídico do planeta”, afirmou.

Segundo ela, a conferência será uma oportunidade para mostrar a força da advocacia brasileira e fortalecer ainda mais a OAB Bahia no cenário nacional. A abertura da programação da OAB Mulher reafirma o compromisso da OAB-BA com a promoção da igualdade, o fortalecimento da advocacia feminina e o enfrentamento das desigualdades estruturais que ainda marcam a profissão e a sociedade.